Notas e Apartes 1.641
Maduro – A captura do ditador venezuelano, Nicolás Maduro, é destaque na mídia mundial. Após ser chamado de covarde pelo tirano, Donald Trump agiu. Em menos de três horas, a CIA, o DEA e as forças de segurança dos EUA retiraram Maduro de seu bunker, em Caracas, na madrugada de sábado, 3. Foi uma operação com precisão cirúrgica. Trump demonstrou que tem força bélica e serviços de inteligência capazes de invadir a capital de um país sul-americano a retirar um criminoso do poder que ocupava de forma ilegítima, junto com sua esposa, sem sofrer baixas humanas e de equipamentos – apenas um helicóptero foi atingido na operação, mas continuou sua trajetória.
Ajuda – Por mais competentes que sejam as tropas dos EUA, é bem provável que os americanos tenham contado com alguma ajuda externa para identificar a localização exata do ditador. Quem traiu Maduro? É uma pergunta ainda sem resposta. Não se pode esquecer que havia uma recompensa de 50 milhões de dólares pelo tirano. A segurança pessoal de Maduro estava a cargo de cubanos e pelo menos 32 deles morreram em poucos minutos de combate, segundo admitiu o presidente cubano, Miguel Diaz-Canel. Também teriam morrido mais de 50 militares venezuelanos.
Delação – Por ora, uma delação premiada de Maduro ou da esposa, Cília Flores, é improvável. Mas certamente preocupa a esquerda sul-americana. Lula em particular. As prisões, por si sós, abalam a estrutura do Foro de São Paulo. O jornalista americano Jason Miller desmascarou Lula. “Agora, sabemos de que lado você está”, escreveu em uma rede social, após nota do governo Lula dizendo que “atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade”. É mesmo? E todos os crimes e atrocidades cometidos por Maduro e seus asseclas contra o povo venezuelano são o quê?
Biden – Donald Trump está preocupado com a influência da China e da Rússia na América do Sul. O governo fraco de Joe Biden proporcionou aos países inimigos tomarem espaços antes ocupados pelos EUA na geopolítica mundial. Biden era um mandalete nas mãos da esquerda norte-americana. Em 2023, juntamente com Lula, ele avalizou acordo com Maduro, que prometeu eleições limpas à Presidência no ano seguinte. Após fraude escancarada na apuração, os EUA não reconheceram a eleição do ditador. Lula exigiu as atas de apuração, não apresentadas até hoje. Nem ele reconheceu a legitimidade da eleição. Lula está em uma sinuca de bico, como aquele pilantra que vende o mesmo terreno para duas pessoas. Foi desmascarado mais uma vez.
Apêndice – A ditadura venezuelana foi imposta aos poucos, a partir de 1999, por ação direta do regime comunista de Cuba, comandado por Fidel Castro. Quando visitei o país pela primeira vez, em fevereiro de 2006, em frente ao Palácio Miraflores, vi parte da população exaltando o então presidente, Hugo Chaves. À época, escrevi aqui na coluna que “o povo venezuelano está vivendo um sonho, mas quando acordar, verá que na verdade se trata de um grande pesadelo”. Até este modesto escriba, nascido em Linha Rolador Alto, interior de Santo Cristo, já antevia o futuro sombrio que se avizinhava.
Petróleo – Estima-se que a Venezuela detém a maior reserva de petróleo do mundo com cerca de 17% do total. Hugo Chaves e Nicolás Maduro conseguiram sucatear a indústria petrolífera, que hoje produz apenas cerca de 1% do consumo mundial, e empobrecer a população ao longo de 27 anos de ditadura. Em 2021, a taxa de pobreza atingiu 94,5% dos venezuelanos. Faltam produtos básicos em supermercados. A ditadura substituiu a produção própria pela importação. A corrupção é endêmica.
Preços – Estive em Caracas em 2006, quando a gasolina era mais barata que a água. Com o valor de um litro de água vendida em supermercado se compravam 15 de gasolina, cujo preço era de cerca de um centavo de dólar o litro, ou 9 centavos de real. Vi carros com enormes tanques – com capacidade estimada em cerca de 500 litros – abastecendo gasolina no lado venezuelano e levando para a cidade de Cúcuta, na Colômbia. Em ruas periféricas, o combustível era transferido com o uso de mangueiras para recipientes na calçada e revendido aos colombianos. Hoje, com o sucateamento das indústrias petrolíferas, o preço da gasolina aumentou, mas ainda é muito baixo em relação ao nosso.
Inflação – A inflação na Venezuela atingiu a média anual de 3.527,03%, entre 1973 e 2025. O nível máximo alcançou 344.509,50%, em fevereiro 2019. Já em 2025, a inflação foi de 556%, estando em elevação devido a pressão exercida pelos EUA contra a ditadura, segundo a Bloomberg News.
Povo – Pessoas ligadas à esquerda brasileira têm a audácia e a petulância de contestar informações divulgadas por venezuelanos que tiveram que deixar seu país para fugirem das atrocidades e da miséria causadas pelo regime ditatorial da dupla Chave/Maduro. Algo surreal. Imagine você, após ter sentido na pele todas as agruras do comunismo, ser contestado por alguém que sequer conhece seu país e, muito menos, a realidade vivida pela população! Querem ser mais realistas do que o rei. Se a esmagadora maioria do povo venezuelano é a favor da prisão de Maduro, que autoridade têm os burocratas de gabinete e os esquerdistas cegos pela ideologia para contrariarem a população?
Opinião – Nos conhecemos em 2023, quando dividimos a mesma casa em Fátima, Portugal. Valéria el Mohtar é venezuelana. Foi obrigada a fugir do país por causa da ditadura. “A minha irmã ainda reside na Venezuela. A família está bem, mas ainda com muito medo do que possa acontecer. Estamos muito contentes que Maduro tenha finalmente ido para a prisão”, disse-me Valéria, ontem, via WhatsApp.
Transição – Qualquer intervenção sempre gera questionamentos: como será o dia seguinte? Trump age com pragmatismo ao apostar na vice-presidente de Maduro, Delcy Rodrigues, para comandar a transição para a democracia. Neste momento, apoiar a posse de Edmundo Gonzales e Maria Corina Machado, sua vice, seria uma temeridade. Eleitos democraticamente em 28/7/24 pela esmagadora maioria dos eleitores, eles tiveram a eleição surrupiada por Maduro, que simplesmente ignorou a votação real e apresentou um resultado fictício. Militares ligados ao chavismo os retirariam do poder e prenderiam em poucos dias. Justiça seja feita: as urnas da Venezuela são auditáveis, ao contrário das nossas. Foi a auditagem que permitiu comprovar as fraudes.
Prisão – A prisão preventiva de Filipe Martins por uma viagem aos EUA que ele não fez e a participação em reunião na qual não esteve, é um dos maiores absurdos já cometidos pelo Supremo, assim como sua posterior condenação definitiva. E o rol de abusos não para. Na semana passada, Martins foi acusado por um radical de esquerda de supostamente ter acessado a rede social LinkedIn. Sem ouvir a PGR e sem solicitar perícia sobre a veracidade dos fatos, o ministro tirano determinou nova prisão de Filipe em regime fechado. Ontem, o LinkedIn informou que o último acesso à rede ocorreu em 2024, realizado nos Estados Unidos, enquanto Filipe estava em prisão domiciliar no Paraná! Se há justiça divina neste mundo, alguém um dia responderá por suas atrocidades.
Donato Heinen


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