Notas e Apartes 1.652
Impunidade – Os poderosos que comandam os destinos da nação continuam agindo para impedir que as falcatruas cometidas ao longo de décadas sejam elucidadas e seus responsáveis punidos. O ministro do STF Gilmar Mendes anulou a quebra de sigilo do Fundo Arleen, usado por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, para comprar parte do resort Tayayá, no valor de R$ 20 milhões. A quebra de sigilo havia sido aprovada pela CPI do Crime Organizado.
Correntes – Os ministros do Supremo estão divididos em duas correntes. Uma, majoritária, encabeçada por Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, não se constrange violando a Constituição e as leis para proteger a bandidagem. Já a segunda, tendo à frente André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, está empenhada em fazer cumprir as leis e punir os grandes corruptos do país que se locupletam com o dinheiro dos contribuintes, a quem sempre cabe pagar a conta.
Mendonça – O ministro André Mendonça é o relator dos dois principais casos de corrupção investigados no país. Isso o projetou no cenário nacional. Pesquisa AtlasIntel divulgada esta semana mostra Mendonça com 43% de avaliação positiva, sendo o mais bem avaliado. Já Gilmar Mendes tem a maior rejeição com 67% de imagem negativa, seguido de Moraes com 59%. Já com relação a Dias Toffoli, 49,3% dizem que deve sofrer impeachment imediatamente e outros 37% apontam que ele deve ser afastado caso as irregularidades sejam comprovadas.
Fake news – Devido ao trabalho relevante no combate à corrupção, André Mendonça
foi vítima de fake news divulgada em massa pela esquerda. Na sexta-feira, 20, um vídeo mostrando um embate entre os ministros Mendonça e Moraes, ocorrido em abril de 2025 como sendo atual, relacionando-o ao caso Master. O vídeo é real, mas não tem nenhuma relação com o caso.
Master – Segundo pesquisa do instituto Paraná Pesquisas, a pré-campanha eleitoral de Lula já está sendo impactada pelo escândalo do extinto Banco Master. A delação de Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco – que já está sendo negociada por seus advogados com a PF e a PGR – está tirando o sono de muitos poderosos em Brasília, deve ser objeto de debates até as eleições de outubro. Por isso, Lula está tentando se descolar do escândalo, que já é considerado o maior da República devido às dezenas de bilhões de reais desviados ao longo dos últimos anos. Já um levantamento do Instituto AtlassIntel/Estadão mostra que 66,1% dos brasileiros acreditam que ministros do STF estão envolvidos diretamente no caso do Banco Master. Outros 14,9% rejeitam a hipótese, enquanto 18,9% dizem não saber.
Minuta – Mais um documento comprometedor foi divulgado pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Em um celular de Vorcaro está a minuta de um despacho do TCU determinando que o banco Central suspendesse “toda e qualquer decisão” sobre o Banco Master.
Celular – Ficou comprovado pela CPMI do INSS que o número através do qual Vorcaro trocou mensagens comprometedoras no dia 17.11.25, data da sua primeira prisão, é de um celular do Supremo, de uso do ministro Alexandre de Moraes. Em qualquer país sério, o ministro já teria sido afastado do cargo até a apuração dos fatos.
Domiciliar – Depois de diversas negativas, ontem o ministro Alexandre de Moraes finalmente concedeu prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente Jair Bolsonaro, após parecer favorável de Paulo Gonet, procurador-geral da República. Mas a concessão é temporária, por 90 dias. Domiciliar com prazo determinado é mais uma invenção de Moraes, sem previsão legal. Mas não foi nenhum gesto de humanidade do ministro. A concessão foi política, pois se eventualmente ocorresse o pior com Bolsonaro dentro da prisão, isso teria ampla repercussão junto aos eleitores, beneficiando o filho Flávio, pré-candidato à Presidência, e prejudicando a candidatura do presidente à reeleição, considerando o estreito vínculo de Lula com o Supremo. A revelação do contrato de R$ 129 milhões de reais do Master com a mulher de Moraes, que compromete o ministro, também pesou na decisão.
Restrições – O benefício foi concedido com dezenas de restrições, como uso de tornozeleira eletrônica, visitações mediante autorização prévia do tirano e a proibição do uso de qualquer meio para se comunicar com o público, entre outras. Nenhum dessas restrições foi imposta ao ex-presidente Fernando Collor de Mello, que também está em prisão domiciliar. E muito menos a Lula, quando estava confortavelmente instalado em uma sala da Polícia Federal em Curitiba e tinha plena liberdade para receber visitas e até namorar com dona Esbanja, que se tornou sua esposa após a soltura.
Inadimplência – No mundo de Lula e Haddad, o brasileiro vive às mil maravilhas. Mas a inflação oficial divulgada pelo IBGE não condiz com os preços nas prateleiras dos supermercados. É lá que o povo sente a realidade no bolso. Em fevereiro, o Brasil registrou o maior nível de inadimplência da última década com 81,7 milhões de pessoas com dívidas em atraso, o que reduz drasticamente a capacidade de consumo básico. Atualmente, cerca de 70,5% da renda dos brasileiros está comprometida com dívidas. Os dados são da Serasa Experian.
Crime organizado – Em fevereiro, o Congresso aprovou projeto de lei para estabelecer penas mais rigorosas aos condenados que atuam em facções do crime organizado. Ontem, Lula sancionou a nova lei com vetos. Integrantes de facções criminosas agora podem ser condenados com penas de 20 a 40 anos de prisão. Um dos dispositivos vetados pelo presidente se refere ao enquadramento de pessoas envolvidas em protestos como integrantes de facções. Se o veto for mantido, os baderneiros do MST que invadem terras, destroem plantações e matam animais não serão enquadrados como membros de organização criminosa.
Ilha – José Múcio Monteiro, ministro da Defesa, disse que o Brasil vive em uma “ilha da felicidade”, mesmo diante de desafios internos e pressões externas com relação ao crime organizado. “Você abre o jornal, você vê risco da primeira página ao fim. Mas nós vivemos numa ilha de felicidade. Nós nos acostumamos a falar mal do Brasil, mas com a consciência de que é o melhor país do mundo”, enfatizou Múcio. Melhor país do mundo? Ora, ora. Sua excelência precisa conhecer melhor o Brasil e o resto do mundo.
Desistência – O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), desistiu da pré-candidatura à Presidência da República. Isso mostra, mais uma vez, que a chamada terceira via não tem votos para disputar o cargo e consolida ainda mais a polarização entre direita e esquerda na disputa da Presidência.
Donato Heinen


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