Gleisi prefere atacar Bolsonaro a aplaudir o combate ao PCC e ao Comando Vermelho
Foto: Ricardo Stuckert | PR
Quando o reflexo partidário fala mais alto que a segurança pública, o cidadão entende quem está de que lado
Os Estados Unidos classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas globais. A reação natural de qualquer brasileiro minimamente preocupado com a segurança pública seria, no mínimo, um aceno de reconhecimento. Finalmente alguém chama as coisas pelo nome.
Mas não Gleisi Hoffmann
A ex-ministra de Relações Institucionais preferiu ignorar o elefante na sala — duas das maiores organizações criminosas do planeta recebendo o rótulo que merecem — para disparar contra a família Bolsonaro. Chamou-os de “traidores da pátria”. Acusou-os de festejar uma “ingerência estrangeira”.
Releia com calma: o governo americano aperta o cerco contra facções que matam policiais, traficam drogas em escala continental e lavam bilhões de dólares, e a primeira reação do PT é reclamar.
Não é coincidência. É reflexo.
A pergunta que ninguém faz é simples: por que a classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas incomoda tanto o PT?
Gleisi argumentou que a medida ameaça a “soberania brasileira”. Citou petróleo, terras raras, Amazônia, água. Fez o cardápio completo do nacionalismo de conveniência. Mas em nenhum momento — em nenhuma linha de sua publicação — demonstrou indignação proporcional contra o PCC ou o Comando Vermelho.
Contra Bolsonaro, chamou de “vendilhão”. Contra as facções que dominam presídios, controlam territórios e executam civis? Apenas a frase genérica de sempre: “crime é crime, tem de ser combatido”.
Que entusiasmo avassalador.
A ex-ministra ainda tentou vender a Operação Carbono Oculto II como prova de que o governo Lula está no controle. Citou a Lei Antifacção. Pediu aprovação da PEC da segurança. Tudo muito bonito no papel. Mas se o combate ao crime organizado fosse tão eficaz assim, por que o PCC e o CV cresceram a ponto de serem reconhecidos como ameaças terroristas globais — justamente durante gestões em que o PT ocupou o poder?
Agora compare: quando o governo americano toma uma decisão concreta contra organizações que destroem a vida de milhões de brasileiros, Gleisi vê “ataque à soberania”. Quando o Estado brasileiro cria mais uma operação policial com nome cinematográfico, ela vê “esforço concentrado”.
A seletividade é gritante.
E é aí que a história complica. O PT, ao transformar automaticamente qualquer ação externa contra o crime em “ameaça imperialista”, revela algo sobre suas prioridades. A soberania vira escudo retórico — não para proteger o cidadão, mas para blindar a narrativa. O inimigo nunca é a facção. O inimigo é sempre quem aponta a facção.
Marco Rubio, secretário de Estado americano, foi direto: a classificação visa desmantelar cartéis e proteger a segurança do povo americano. Pode-se discutir as motivações geopolíticas. Pode-se questionar os limites da extraterritorialidade. Mas o que não se pode fazer — a menos que se tenha uma agenda muito específica — é tratar o combate internacional ao crime organizado como se fosse o verdadeiro problema.
Gleisi teve uma escolha. Podia ter dito: “Concordamos que PCC e CV são ameaças, mas o Brasil tem capacidade de enfrentá-los sem tutela estrangeira.” Seria uma posição digna.
Em vez disso, escolheu atacar Bolsonaro, defender a soberania abstrata e tratar duas organizações responsáveis por milhares de mortes como mero detalhe no meio de uma briga partidária.
O brasileiro que perdeu um filho para o tráfico, que vive refém de facções em sua comunidade, que paga impostos para um Estado que não consegue garantir segurança básica — esse brasileiro ouviu Gleisi e entendeu perfeitamente a mensagem.
Para o PT, o problema nunca é o crime. O problema é quem fala sobre o crime.
Contra Fatos

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