Estatais sangram R$ 1,8 bilhão em abril — e ninguém se surpreende

Sede do Banco Central | Foto: Divulgação
O rombo das empresas públicas é marca registrada de quem governa com o Estado como cabide e as estatais como cofrinho
O Banco Central trouxe os números de abril de 2026. E eles contam, mais uma vez, a velha história que o contribuinte brasileiro já conhece de cor: as estatais deram prejuízo.
Déficit primário de R$ 1,8 bilhão. Em um único mês.
Enquanto o governo federal conseguiu registrar superavit de R$ 26,1 bilhões e estados e municípios fecharam com saldo positivo de R$ 329 milhões, as empresas públicas puxaram o resultado para baixo. O setor público consolidado encerrou abril com superavit de R$ 24,6 bilhões — mas seria consideravelmente maior se as estatais não existissem como ralos permanentes de dinheiro público.
Esse não é um fenômeno isolado. No acumulado de 12 meses, o resultado primário continua deficitário: R$ 126,6 bilhões no vermelho, o equivalente a 0,97% do PIB. Quase 1% de tudo o que o país produz é consumido pelo buraco negro das contas públicas.
E é aí que a história complica.
Quando se incluem os juros da dívida — aqueles que o governo finge que não existem na hora de apresentar resultados — o déficit nominal acumulado em 12 meses chega a R$ 1,22 trilhão. Leia de novo: trilhão. Isso representa 9,41% do PIB. As despesas com juros em abril somaram R$ 84,8 bilhões, contra R$ 69,7 bilhões no mesmo período do ano anterior. Uma escalada de mais de R$ 15 bilhões — alimentada, em boa parte, pela própria política fiscal expansionista que pressiona as taxas de juros para cima.
A pergunta que ninguém faz é simples: por que o Estado brasileiro ainda mantém empresas que dão prejuízo sistematicamente?
A resposta, claro, não está nos manuais de economia. Está na lógica de poder do PT. Estatais não são instrumentos de eficiência. São instrumentos de controle político. São os cargos de indicação, os conselhos lotados de apadrinhados, as diretorias distribuídas como moeda de troca parlamentar. São o Estado inchado funcionando exatamente como foi desenhado para funcionar — não para dar lucro, mas para dar poder.
Agora compare: governos que privatizaram, que reduziram o tamanho da máquina, que tiraram o Estado de onde ele não deveria estar — esses entregaram resultados fiscais superiores, justamente porque não carregavam nas costas o peso morto de empresas que só existem para satisfazer interesses políticos.
O PT governa assim. Sempre governou. Gasta mais do que arrecada, expande o Estado como se expansão fosse virtude, e depois apresenta o déficit como se fosse acidente climático — algo inevitável, algo que simplesmente aconteceu.
Não aconteceu. Foi decisão.
Cada real de déficit das estatais é uma escolha. Cada cargo de indicação política é uma escolha. Cada empresa pública mantida no respirador artificial para servir de balcão de negócios partidários é uma escolha deliberada de quem prefere o poder ao equilíbrio fiscal.
R$ 1,8 bilhão em um mês, R$ 126,6 bilhões em 12 meses, R$ 1,22 trilhão de déficit nominal.
Os números são eloquentes. A questão é se alguém em Brasília está ouvindo — ou se o barulho das nomeações políticas é alto demais.
Contra Fatos

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