Proposta sobre plantio antecipado da soja no RS deverá ser analisado no fim de julho

A possibilidade de antecipar o início do plantio da soja no Rio Grande do Sul será analisada no próximo dia 28 pela Câmara Setorial da Soja. A proposta prevê a mudança da data de início da semeadura de 1º de outubro para 15 de setembro e conta com aval técnico do Ministério da Agricultura. A medida é defendida por órgãos estaduais e federais como estratégia para elevar a produtividade das lavouras e reduzir os prejuízos provocados pelas mudanças climáticas.
De acordo com o engenheiro agrônomo Sérgio Schneider, que acompanha as discussões envolvendo a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), a Emater, meteorologistas e o Ministério da Agricultura, a alteração no calendário preserva as regras do vazio sanitário e do zoneamento agrícola.
Segundo Schneider, experimentos realizados durante cinco anos apontam que a antecipação do plantio pode representar ganho médio de cerca de 20 sacas por hectare. No Noroeste gaúcho, a produtividade média foi de 33 sacas por hectare, índice considerado economicamente inviável. Em municípios como São Luiz Gonzaga e São Borja, a média ficou entre 24 e 25 sacas por hectare. Já em regiões como Passo Fundo e Lagoa Vermelha, a produção alcança cerca de 43 sacas por hectare. No Paraguai, onde a semeadura começa no fim de agosto, a produtividade média chega a 47 sacas por hectare.
"Os resultados dos nossos campos experimentais mostram que essa mudança pode transformar a realidade da região. Mesmo em anos difíceis, a tendência é reduzir significativamente as perdas", afirmou.
Para o agrônomo, manter o calendário atual significa prolongar um cenário de sucessivas frustrações de safra e ampliar a dependência de medidas emergenciais.
"Precisamos atacar a causa do problema. Se não mudarmos o modelo de plantio, continuaremos enfrentando perdas recorrentes e discutindo novas renegociações de dívidas daqui a poucos anos", alertou.
O engenheiro agrônomo Jairton Dezordi, gerente de produção de sementes da Tarumã, de Três de Maio, avalia que a antecipação do plantio representa mais uma ferramenta para aumentar a eficiência das lavouras. Com mais de 40 anos de atuação no agronegócio, ele destaca que o avanço da tecnologia e da genética das cultivares amplia a capacidade do produtor de enfrentar os efeitos do clima.
"Na agricultura existem dois fatores que determinam o potencial produtivo: o clima e a tecnologia. O clima não controlamos, mas a tecnologia está nas mãos do produtor e precisa ser utilizada para reduzir os riscos das adversidades climáticas", afirmou
96.7FM


.png)






.jpg)
 2-1-26.png)
.png)