MASHA E O URSO SOB SUSPEITA: DESENHO INFANTIL É ACUSADO DE ESPALHAR PROPAGANDA DO REGIME RUSSO

Apesar da aparente inocência de uma menina hiperativa de vestido rosa e de um urso pacato em histórias para pré-escolares, o desenho Masha e o Urso revela-se um sofisticado instrumento de soft power do regime russo, dizem os críticos, projetado para normalizar símbolos autoritários e mensagens pró-Kremlin junto a milhões de crianças ocidentais.
De acordo com os críticos, episódios como “A fronteira está trancada”, em que Masha usa o quepe da antiga Guarda de Fronteira ligado à NKVD e ao FSB, canta canções de guerra soviéticas e exibe a estrela vermelha, não são meras referências folclóricas, mas tentativas deliberadas de suavizar a imagem de um Estado agressor e de associar a Rússia a um protetor bondoso e paternal.
Análises de diplomatas ucranianos, do ministro estoniano Margus Tsahkna e de especialistas britânicos apontam que a animação embute propaganda subliminar que normaliza a agressão, a vigilância e as ambições imperiais de Moscou, enquanto gera recursos que, segundo autoridades ucranianas, alimentam a máquina de guerra.
Ao transformar entretenimento infantil em veículo de influência ideológica, Masha e o Urso deixa de ser um produto cultural inofensivo e passa a representar uma ameaça sutil à formação crítica das novas gerações, justificando as sanções já aplicadas pela Ucrânia e os alertas crescentes no Reino Unido e na Estônia.
Texto: Rodolfo Oliveira


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