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Por Grande Santa Rosa Notícias. Publicado em 27/09/2026 as 01:56:20

Saiba como funcionará compra de dívidas pela União

Nova fase de programa prevê desconto de até 90% nos débitos


Criada nessa sexta-feira (25) por medida provisória, a terceira fase do programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas, chamada de Desenrola 3.0, traz mudança importante em relação às etapas anteriores. 

A União poderá comprar em leilões, carteiras de dívidas inadimplidas e repassar integralmente ao devedor o desconto obtido na operação. Nas fases anteriores, os débitos eram negociados diretamente entre credores e devedores.

 A expectativa do governo é que até R$ 150 bilhões em dívidas sejam elegíveis ao programa, com potencial para beneficiar até 15 milhões de pessoas.

Como funcionará?

A nova fase será voltada a dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil, considerando o valor original da dívida.

Para participar da operação, os débitos deverão estar em atraso de 720 dias a 1.645 dias, contados a partir de 25 de setembro de 2026.

Na prática, o processo será dividido em etapas:

  1. A União realizará leilões para comprar as carteiras de dívidas.
  2. Os credores apresentarão propostas de desconto.
  3. As propostas serão classificadas pelo maior deságio oferecido.
  4. O desconto obtido pela União será repassado integralmente ao devedor.
  5. O consumidor poderá quitar o saldo à vista ou parcelá-lo.
  6. No caso de parcelamento, as condições ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) 

Quem poderá participar?

A MP estabelece como critérios principais:

  • Dívidas de até R$ 10 mil, pelo valor original
  • Inadimplência superior a 720 dias
  • Inadimplência inferior a 1.645 dias
  • Dívidas bancárias e não bancárias

O Ministério da Fazenda poderá estabelecer critérios adicionais de renda e de priorização dos devedores.

Os leilões poderão ocorrer em lotes e separar as dívidas de acordo com sua natureza, entre bancárias e não bancárias.

Quanto será o desconto?

O deságio mínimo exigido nos leilões será de 90%, com o desconto obtido na compra sendo integralmente transferido ao devedor.

 Assim, se uma dívida elegível de R$ 10 mil for adquirida pela União com o desconto mínimo previsto, o valor considerado para a renegociação será de R$ 1 mil.

O consumidor poderá:

  • Pagar o saldo de uma vez, mantendo o desconto
  • Ou parcelar o valor restante, acrescido de juros, conforme as regras que ainda serão estabelecidas pelo CMN

Quanto será investido?

A estimativa do governo é que até R$ 150 bilhões em dívidas possam ser elegíveis à compra.

A previsão considera apenas uma parcela do estoque de R$ 592 bilhões em dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito em agosto de 2026.

O governo estima:

  • Até R$ 75 bilhões em dívidas efetivamente renegociadas
  • Até 15 milhões de pessoas beneficiadas
  • Custo máximo de R$ 15 bilhões para a aquisição das carteiras pela União

Os recursos deverão ser previstos nos Projetos de Lei Orçamentária Anual (PLOAs) de 2027 e 2028 

Quando começa?

A implementação do programa seguirá cronograma previsto na MP:

  • Setembro de 2026: publicação da medida provisória
  • Novembro de 2026: publicação do chamamento para apresentação das propostas
  • Dezembro de 2026: credores entregam as propostas
  • Janeiro de 2027: homologação das propostas selecionadas
  • Fevereiro de 2027: assinatura dos contratos e início do repasse dos descontos aos devedores

A partir de fevereiro de 2027 está previsto o início da quitação à vista ou do parcelamento dos valores pelos consumidores.

Tamanho da inadimplência

 Dados do Tesouro Nacional citados pelo governo mostram a dimensão do problema.

Em agosto de 2026, havia R$ 592 bilhões em dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito, considerando débitos com até cinco anos de atraso.

O levantamento aponta ainda:

  • 83,9 milhões de pessoas negativadas;
  • Média de quatro dívidas por pessoa;
  • Valor médio de R$ 7 mil por pessoa;
  • Média de R$ 1,7 mil por dívida;
  • 56% dos negativados eram mulheres;
  • Cerca de 55% do estoque correspondia a dívidas não bancárias.

 Entre as dívidas não bancárias estão débitos com empresas de água, energia, telefonia e varejo.

O que mudou?

Nas duas primeiras fases do programa, a renegociação dependia da negociação entre consumidores e credores.

Na terceira etapa, a lógica muda: o governo passa a atuar diretamente na compra das carteiras de dívidas.

O desconto obtido nos leilões será transferido ao consumidor, que poderá escolher entre quitar o saldo de uma vez ou parcelar o valor restante.

Fases anteriores

Nas duas primeiras fases, o Desenrola alcançou cerca de 25 milhões de pessoas.

A primeira fase foi voltada a dívidas bancárias e não bancárias negativadas desde 2019:

  • Mais de 8 milhões de operações de renegociação
  • R$ 53 bilhões em dívidas renegociadas
  • 15 milhões de pessoas e famílias atendidas

A segunda fase foi destinada a dívidas bancárias com inadimplência de 90 dias a dois anos:

  • Mais de 5,5 milhões de operações
  • R$ 22 bilhões em dívidas renegociadas
  • 10 milhões de pessoas e famílias atendidas 


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